CARTA AO VIAJANTE COVID-19

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34112/1980-9026a2020n41ap32-34

Resumo

Escrevo a você desde o 45º dia de quarentena. Há 4 meses você decidiu fazer uma viagem entre dois corpos de espécies diferentes, viagem rara, porém possível. Chegou com sua força mutante e rapidamente se proliferou pelo mundo. Vocês, vírus, são um enigma para a biologia, são matérias orgânicas inanimadas, instigantes viajantes entre os seres vivos e os minerais, e podem, de acordo com as circunstâncias, ser uma coisa ou outra. Entidades que ganham vida apenas no encontro com um corpo orgânico dotado de material genético e sistema celular conveniente. Ínfimas partículas orgânicas replicantes, ladrões perspicazes, hospedeiros inteligentes, viajantes entre reinos. Além dos cuidados para não te encontrar fisicamente, tenho feito o exercício diário de te observar, tentando aprender com sua inteligência viral, com sua força replicante, com sua invisibilidade astuta, com sua anárquica metamorfose e com sua inacreditável velocidade. Envolvida pelos sentimentos de medo e de admiração, escrevo o que tenho aprendido com você nestes dias de isolamento.

Biografia do Autor

Alik Wunder, Universidade Estadual de Campinas

Alik Wunder é professora docente na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, Brasil. É bióloga, mestre, doutora e pós-doutora em Educação pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente pesquisa artes indígenas e afro-brasileiras, filosofia contemporânea e imagem, em especial, fotografia. É pesquisadora da Linha de Pesquisa Arte e Linguagem em Educação e do Grupo de Estudos Audiovisuais – OLHO.

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Publicado

2020-09-08

Edição

Seção

Dossiê – Artigos