QUANDO A ARTE E A INFÂNCIA CHAMAM PRA DANÇAR A CIÊNCIA: INVENÇÕES, AFETAÇÕES E EQUILIBRISMOS

Autores

DOI:

https://doi.org/10.34112/1980-9026a2021n45p210-221

Resumo

Numa perspectiva freiriana de que a leitura da palavra é tributária da leitura de mundo, ou das leituras de mundos possíveis, os olhares sobre a vida fundam também modos de conhecer. A produtividade constituída por um modo capitalístico de operar, conhecer e se relacionar atravessa as mais diversas esferas da vida, priorizando metas e resultados em detrimento dos processos e do sentido. Ao pensar a educação, desde a primeira infância, as metas geralmente determinam como e o que se deve conhecer, fazer, ser. O que busca escapar desses padrões é considerado erro – desviando das Grandes Narrativas em sua ciência maior. Dessa maneira, este trabalho busca investigar como a infância e a arte contribuem para interpelar o funcionalismo moderno, a ciência maior, o tempo produtivo e a postulação de verdades estabelecidas. A partir de relatos, recortes fotográficos, poesias e diálogos teóricos, esses escritos ensaísticos propõem interrogar: como o paradigma do erro-acerto institui infâncias e mundos? Como o funcionalismo moderno se cruza com as processualidades da infância? E como a infância e a arte trabalham nas fissuras abertas, desconcertando o que se quer certo e conformado, atuando como antiferramentas? Entende-se, aqui, que o espanto, a invenção, e as perdas de tempo que a arte e a infância carregam consigo traem a funcionalidade das metas, abrem-se à errância e a uma outra política da educação.

Biografia do Autor

Élida Santos Ribeiro, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Mestranda em Educação em Ciências e Saúdes pelo Instituto NUTES (UFRJ). Trabalha desde 2010 com Educação, tendo sido a maior parte de sua trajetória na Educação Infantil. De 2011 a 2018 trabalhou em escolas com a metodologia Waldorf. Formada em Pedagogia Waldorf pelo Centro de Formação Vale de Luz. Curso de Pós-graduação Lato Sensu "Profissionais da escola e práticas curriculares" pela Universidade Federal Fluminense, concluído em 2011.Graduanda em Letras pela Universidade Federal Fluminense (via CEDERJ), com previsão para formar-se em 2024. Graduada em Medicina Veterinária pela Universidade Federal Fluminense (2009). Mãe da Aurora.

Laís de Paula Pereira, Universidade Federal Fluminense

Graduada em Ciências Biológicas (2010), tem mestrado em Educação (2018) e está doutoranda em Educação, todos pela UFF. Foi professora de Ciências pela Seeduc-RJ (2011-2012) e desde 2012 atua como coordenadora de projetos, coordenadora pedagógica e educadora ambiental junto a instituições públicas, privadas e do terceiro setor. Está Mediadora a Distância no curso de Ciências Biológicas pelo CEDERJ/UFRJ desde 2020 e atua junto ao Instituto de Arte TEAR desde 2021. Pesquisa na área de Educação, com ênfase em Educação Ambiental; práticas de conhecimentos, pensamentos e saberes ecológicos menores; comunidades tradicionais; Ensino de Ciências e Biologia; Educação Infantil, Literatura e formação de professores. Integrante do grupo de pesquisa “Entre-mundos: Ecologias, Pedagogias, Culturas”. Mãe da Lila desde 2016.

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Publicado

2022-01-19

Edição

Seção

Dossiê Temático do 22º COLE – Artigos